segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O Alentejo espera por mim


O Alentejo espera por mim.


O Alentejo espera, para sempre irá esperar, até ser totalmente despido de árvores, animais, pessoas, vida.



Haverá um tempo que nem o Sr. engenheiro irá levar a amante desta estação ao seu monte alentejano, nem um campo de golfe será regado. Só então poderemos voltar.


Depois de chuparem tudo teremos um lindo deserto onde construir uma casa.



Nossos filhos crescerão como cactos, lacraus bem instruídos, que só farão anos em ano bissexto, quando chover em lua cheia de Agosto.


Durarão séculos, enquanto desaparecem as babilónias que se encostam aos mares.



Um dia, depois de todas as civilizações, abandonarão seus buracos no deserto, para ocupar a desumanizada costa, e aí se alimentarem de peixe e algas.


Só então começará a Música.



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É assim, meu amor, que na paisagem do teu corpo projecto futuros inauditos.


Profecias se deram por menos, tal como nunca faltou papel para novas bíblias.


Bíblias e bíblias de pára-quedas caindo sobre Africa. Antes fosse água, ou Internet, conforme a classe social.


2 comentários:

  1. Um bom poema,bonito mas um bocado bombástico,de qualquer maneira um Bom Poema, obrigado.
    Um Grande Abraço da tua mãe.
    Fátima.

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  2. Nem sempre o que sentimos conseguimos transmitir sem um bom bocado de exagero. Afinal tratam-se de emoções, daquelas fortes que precisam de sair de qualquer forma.
    E escrever é mesmo isso, uma continua negociação entre as nossas dores e a nossa necessidade de felicidade e paz.

    Um Enorme Abraço para ti também minha mãe...

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