segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A Revolução de 19-26 de Outubro de 2013




A situação era tensa mas ainda assim ninguém esperava que os acontecimentos de dia 19 de Outubro de 2013 despoletassem a Grande Revolução. Vou tentar descrever o melhor que possa os acontecimentos. 

As 250 000 pessoas reunidas em Almada marcharam até à ponte e a polícia, atarantada, percebeu que tudo tinha mudado e baixou os cassetetes para se juntar à marcha. Chegados a Alcântara outras largas centenas de milhar esperavam por elas. Entre a multidão que se abraçava ao chegar surgiu uma melodia, discreta ao início e depois cada vez mais forte: um camião com colunas surgiu da Avenida de Ceuta e começou a conduzir cerca de metade dos presentes até ao Porto de Lisboa, sendo a multidão encabeçada por 50.000 estivadores vindo de todo o mundo, inclusivé Baltimore. Chegados ao porto dão-se os primeiros confrontos, a classe operária vitoriosa qual Gauleses carregando sobre Roma. 

A inesperada entrada no porto, para além dos mais selvagens sonhos dos anarquistas, deixa toda a gente histérica e os contentores são abertos e as mercadorias de importação são comunizadas por entre mil e uma patuscadas nos contentores. A massa sindical da CGTP transcende o sector de luta e entrega-se com afã desmedido a uma intensa desconstrução de género por entre mini-saias rendadas destinadas à inauguração da Primark no Colombo. Ao longe ouvem-se as sirenes de uma polícia desnorteada e desesperada. De madrugada os dois rios desaguados na foz revolucionaria abandonam o porto empanturrados e acampam ao longo da Marginal de Lisboa até Cascais, numa acampada serpenteante e mágica onde um mic check ininterrupto percorre para trás e para a frente a zona ribeirinha.

O QSLT reúne na associação de amizade Guatemala-Portugal durante 49 horas ininterruptas e por fim mantém o destino final da manifestação de 26 para São Bento. A situação nacional está descontrolada e o pais desliza no caos. Pacheco Pereira retira-se para a Marmeleira com os contribuidores dos seus blogues e forma uma comuna tipo Kurtz no Apocalypse Now, o poder responde enviando o deputado João Pinho de Almeida do CDS PP para finalmente lhe limpar o Sebo. A TVI tem Marcelo a comentar ininterruptamente. Daniel Oliveira fica finalmente careca. No Porto o presidente da câmara independente autoproclama-se imperador de Portugal ao que José Soeiro responde escrevendo pequenos poemas sobre sonhar abril de novo. Sexta Feira Passos Coelho fala ao pais mas é grandolado por 500 surdos-mudos e decide emigrar para Madrid para tirar a carta de veículos pesados.

Chega Sábado. O pessoal do RDA e afins atinge o clímax do seu delírio e sai da garagem apetrechado de aviões feitos de arame e paus de vassoura e sobe ao cristo rei para tentar ocupar o sol, infelizmente não consegue mas não desanima e arma um chavascal à antiga em Cacilhas a puxar para o cacilheiro. A manifestação não chega a começar porque é impossível perceber nos seus limites. No início das escadarias a extrema-esquerda decide resolver a questão de quem toma São Bento com uma corrida pelos degraus acima. Nem todos chegam ao fim já que ao segundo degrau já há várias facções à pancada e a vender revistas. No fim perfilam-se três vencedores que correm para dentro do parlamento. Meia hora depois Gil Garcia, Rui Tavares e João Labrincha surgem à varanda brindando Champagne e anunciando a nova liderança tricéfala do pais, mas ninguém lhes liga peva e Catarina Martins mostra as mamas depois de um muito insistente “mostra! Mostra” da parte do corpo de intervenção desmobilizado que bebe copos nas tasquinhas perto da assembleia. No Terreiro do Paço dá-se o único incidente trágico da Revolução quando um grupo de cerca de 100 pessoas que começa a cantar o “grandôla vila morena” sem parar durante 4 horas e atinge um estado tal de galvanização emocional que se atira ao rio. João Camargo escreve um livro onde inocentemente refere a centralidade do MOB no meio de todo este processo. 

O Bloco de Esquerda acaba numa grande jantarada no H3 do Saldanha Residence. O PCP reúne os seus militantes nas carrinhas, regressa à Quinta da Atalaia e funda a RPA, República Popular do Alentejo, anexando de imediato o Algarve, encontrando uma criança loira inglesa na casa de férias do casal Passos Coelho. Os anarco-autónomos do RDA reúnem as barreiras e tentam inventar algo que pare a rotação da terra de modo a ser PARA SEMPRE um fim de tarde de verão mas não conseguem e armam um ganda chavascal na cantina da Assembleia da República enquanto gozam com o outro pessoal de esquerda. Precisamente quando o sol se está quase a por Margarida Martins da Abraço sobe a um dos leões e canta. A História é finalmente suspensa e a humanidade entrega-se deleitada e ternurenta ao comunismo total.


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